Breve resposta a José Cardim Ribeiro

O Professor José d’Encarnação, no seguimento da polémica a que deu origem, sobre o Alto da Vigia (Colares, Sintra), fez-me chegar um texto deveras surpreendente, do Dr. José Cardim Ribeiro, igualmente publicado no ArchPort (em anexo). O conteúdo desse texto, intitulado “Depoimento sobre certas atitudes de Marco Oliveira Borges”, e no qual o autor assume-se como paladino da bondade, tendo mesmo afirmado “que de acordo com o meu carácter, preferiria guardar só para mim”, na realidade, não é mais do que um chorrilho de dislates sobre o meu carácter, enquanto homem e investigador, eivado de considerandos ofensivos, porém reveladores do verdadeiro “carácter” do seu autor. Não querendo entrar pelo mesmo caminho, assinalo algumas questões que me parecem fundamentais.

As primeiras referências que publiquei sobre o ribat, num artigo datado de 2012 mas que só saiu em 2013, não passaram de alusões genéricas e de integração num contexto mais amplo que então estudei. Socorri-me de um relatório de escavação, correspondente à campanha de 2008 (de acordo com a legislação então em vigor, designadamente, o Artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 270/99, de 15 de Julho), e da informação constante no site do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas dedicada ao arqueossítio do Alto da Vigia. Ambas as fontes estão devidamente identificadas no meu artigo[1].

Datado de 2012, este artigo foi dado à estampa já em 2013, depois da publicação de um texto subscrito por Raul Losada, no número 0 da Revista de Arqueologia Romana em Portugal (online), ao que parece publicado a 28 de Fevereiro de 2012[2], e do qual só tomei conhecimento posteriormente, razão pela qual não o inclui no meu texto. Esta publicação parece constituir a primeira referência publicada sobre o arqueossítio do Alto da Vigia e do ribat, tendo sido apadrinhada pelo próprio Dr. Cardim Ribeiro, enquanto “colaborador externo”, como consta, aliás, na respectiva ficha técnica.

Afinal, de quem foi “o modus operandi pouco honesto”? Meu, não foi certamente! O meu artigo foi dado à estampa no ano seguinte ao de Losada e os passos que dei para a sua elaboração estavam dentro da lei. Por conseguinte, é preciso um total descaramento e ausência de escrúpulos para afirmar – perante esta evidente discrepância cronológica – que fui eu “a primeira pessoa a comunicar ao meio científico, através de publicação, a importantíssima descoberta do ribat do Alto da Vigia, adiantando-se por sua conta e risco a todos os membros da própria equipa operante no terreno?” Se o tom do Dr. Cardim Ribeiro roça a ofensa bacoca, aqui estamos perante uma grave acusação que pretende afectar o meu bom nome e a minha carreira científica, sendo que não me apropriei de propriedade alheia, nem tão-pouco deixei de respeitar os normativos deontológicos.

Assim, quando afirma levianamente, que publiquei “em primeira mão e como coisa sua muitas das evidências arqueológicas que presenciou no decurso dos trabalhos arqueológicos a que era alheio, bem como opiniões, ou mesmo hipóteses científicas, que ouviu da boca dos membros da equipa”, então importa saber quais.

Afinal, é este, Cardim Ribeiro, o investigador sério que se tenta bater moralmente por princípios de honestidade e deontologia? Parece que não e, no seguimento do que foi referido, exijo uma retratação pública no mesmo lugar e com o mesmo destaque do texto que publicou, deixando claro que, caso não o venha a fazer no prazo de uma semana, vejo-me obrigado a apresentar um texto com informação mais detalhada e documentada para clarificar a presente situação.

Marco Oliveira Borges | 2020

Cardim

[1] Marco Oliveira Borges, “A defesa costeira do litoral de Sintra-Cascais durante o Garb al-Ândalus. I – Em torno do porto de Colares”, História. Revista da FLUP, IV série, vol. 2, Porto, respectivamente nas pp. 118 (n. 52) e 119 (n. 62) (https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/11320.pdf).

[2] Raul Losada, “Monumental santuário romano do sol e da lua. Sítio arqueológico do Alto da Vigia (praia das Maçãs, Colares)”, Revista de Arqueologia Romana em Portugal, [2012], pp. 26-35 (https://issuu.com/portugalromano/docs/revista).

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